"Garota Vinil, única mulher disc-jóquei a executar músicas dos 60 aos 90, de todos os gêneros, somente com LPs e Compactos"

Sonoris: Dez anos como Disc-Jóquei, personalidade e presença marcantes na noite gaúcha. O que mudou e como sentes as tendências do público para os próximos 10 anos?

Andréa Ávila: Dia 21 de julho completo 11 anos de trabalho. Passou muito rápido! (risos) Não sei afirmar o que mudou, porque a noite é cíclica e existem as tendências - a moda. Pela lente do meu trabalho, percebo que as pessoas se surpreendem com o repertório variado e pesquisado em disco de vinil. Uma noite nunca é igual à outra, porque depende da minha inspiração, do público presente e dos pedidos musicais; o contato com as pessoas é essencial no meu trabalho. Não sei como serão os próximos dez anos, mas imagino que a tendência é de as pessoas permanecerem atualizadas e antenadas com o que estiver acontecendo. Mas que não esqueçam de olhar para a história da música! Que não deixem de ouvir Tom Jobim, Elis Regina, Chico Buarque, Zé Ramalho, Almôndegas, Paralelo 30, Hermes Aquino, Plauto Cruz, Pink Floyd, Bob Dylan. No que depender de mim, isso não vai acontecer.

A volta do vinil: com a forte adesão à cultura tecnológica, vivemos meio reféns de um obsoletismo high-tech. Tu te sentes precursora de um movimento contra essa cultura? Como fazes para aliar a majestade do vinil às novas mídias?

Gosto da cultura tecnológica em dois sentidos: quando ela é facilitadora, ou seja, permite o acesso às classes menos favorecidas; e quando ela contribui para a divulgação do trabalho do artista. Não sou contra, pelo contrário, apenas tenho um diferencial, que é o de contar a história da música dos 60 aos 90 da forma mais fiel: e isso implica tocar discos de vinil. Comecei a discotecar porque queria reunir amigos para ouvir LPs, e isso se reflete no meu trabalho até hoje. Sempre procuro discotecar e estar próxima às pessoas para que elas se sintam na minha sala de estar.

Acervo: com quantos vinis contas hoje e como funciona na hora da balada, fazes uma pré-seleção, com quantos discos chegas para uma festa? E o aparato logístico?

Tenho mais de 4 mil discos e uns 300 compactos – pouquíssimo diante do meu desejo de ter muito mais. Eu disse MUITO MAIS (risos). A pré-seleção é feita de acordo com o tipo de festa e do público (perfil e faixa etária). Levo, em média, uns 600 vinis e compactos, carregados em cases plásticos e separados por gênero musical. Toda vez que saio para discotecar é uma mudança, porque carrego as caixas de discos, os toca-discos e o mixer. Mas vale a pena!

Como foi tocar com personalidades como Sidnei Magal, Kid Vinil, entre outros?

Ah, foi bacana, uma experiência ímpar. Conhecer mais de perto a história, ou melhor, ouvir histórias do próprio artista é diferente, é uma troca. Lamentei não ter tido mais tempo de conversar com o Magal, superatencioso. Eu e o Kid visitamos sebos e compramos LPs. Quando Ritchie gravou o Programa Patrola na minha casa, foi surreal. Atendi o interfone e ele cantou: “ela não está, me diz a voz que vem do interfone”. O Kiko Zambianchi também é um cara muito legal, recebeu uma galera no hotel e lá ficamos trocando ideias, rolando som de violão e dando muita risada. Tive o mesmo impacto ao discotecar e conversar com personalidades daqui, como o Jimi Joe (me deu uma aula de Beatles só na ponta da agulha!), Wander Wildner, Sady Homrich, João Vicente, Serginho Moah, que são artistas que admiro muito. Em duas oportunidades, discotequei em festas particulares em que rolou show do Nei Lisboa. Então, só experiências gratificantes.

Em qual lugar/local gostaria de tocar que ainda não tocou?
Gostaria de tocar fora do sul – em outros estados, em Buenos Aires, na Europa.

10 discos para levar para uma ilha-deserta-sem-wireless:
Uau, que difícil! Injusto, eu diria. (risos) Entãoo, para uma “primeira visita” à ilha deserta, levaria:

Hein? – Nei Lisboa
Saracura – Grupo Musical Saracura
Comes a Time - Neil Young
Pearl – Janis Joplin
Bigmouth Strikes Again – The Smiths
Trem Azul – Elis Regina
Ópera do Malandro – Chico Buarque
Frutificar – A Cor do Som
Stevie Wonder's Original Musiquarium
Danceteria O Lance do Momento – por causa da faixa 2 do lado B: Somebody Else’s Guy, com Jocelyn Brown.


Um briefing do currículo, passagens importantes: Nunca tive a intenção de criar rótulos ou “a moda do vinil”, mas de divulgar a cultura do vinil e a história da música. Amo o que faço. E fico muito feliz quando as pessoas vão aos lugares em que discoteco e compartilham comigo. Nada mais gratificante do que ver a reação das pessoas quando ouvem músicas que fizeram parte de um momento, que lembram alguém, um lugar ou uma época de suas vidas.

Resumindo a trajetória da Garota Vinil: Há cerca de onze anos, Andréa Avila quis comemorar o Dia Internacional do Amigo. Como boa escorpionina, não poderia ser de um jeito qualquer. E esse modo especial materializou-se em reunir os amigos para, como nos “velhos tempos”, ouvir LPs. O encontro aconteceu em um bar. Um encontro de amigos com uma garota que, ali, se tornou DJ:a Garota Vinil – única mulher disc-jóquei a executar músicas dos 60 aos 90 de todos os gêneros somente com LPs e Compactos. O trabalho da Garota Vinil é direcionado a um público sensível à boa música, que gosta de dançar e ser surpreendido com um repertório de qualidade. Um público que curte o “chiado” do LP e a amplitude sonora inigualável de um disco de vinil. É um imperdível convite para voltar ao tempo das discotecas e das reuniões improvisadas “na garagem” – bons tempos!

www.garotavinil.com.br

Por Flávia Bento.