Nei Lisboa, 31 anos de carreira e boas novas

Então, 31 anos de carreira! O que mudou e como sentes o teu público?

Tantas coisas que é impossível narrar assim num espaço curto. O público muda, envelhece e se torna mais experiente junto comigo, mas sempre surge uma gurizada nova, também, que dá um colorido às platéias. Já tô cantando pra três gerações diferentes. É bom, e é complicado. Faz a gente se perguntar muitas vezes "com que roupa eu vou...".

A volta do vinil: com a forte adesão a cultura tecnológica, vivemos meio reféns de um obsoletismo high-tech. Teremos novamente o prazer de ouvir um bolachão teu, acompanhando as letras com encarte na mão? ou aderiste de vez às novas mídias?

Será? Duvido que isso se firme, sou um incréu, vá lá. Mas gostaria muito de ver os bolachões com força total, tanto pelo som quanto pelas capas maravilhosas e espaçosas. Se engrenar mais um pouquinho, tô nessa.

Caetano Veloso, Zélia Duncan, entre inúmeras outras personalidades da música brasileira gravam músicas tuas. Na voz de quem mais gostarias de te ouvir que ainda não se rendeu aos versos teus?

Muitos. A Marisa Monte, por exemplo, seria muito especial. Sem falar em outros três que vai ser um pouco difícil: Elis, Cazuza e Cássia Eller.

10 discos para levar para uma ilha-deserta-sem-wireless:

Vou ficar devendo essa lista, seria complicado. Mas certamente levaria um tanto de MPB dos anos 70 e coisas mais recentes. Levaria Beatles, Bob Dylan, Fito Paez, e Steely Dan. Vários da Joni Mitchell. Levaria Sting, Nina Simone e Lokua Kanza. Tom Waits e Leonard Cohen. Levaria Madeleine Peyroux pra noites enluaradas e Bob Marley pra pegar uma praia.

Como sentes a questão autoral no Brasil. Duelo ou alelo ao avanço tecnológico?

Falta esclarecimento para uma questão tão complexa como o direito autoral, ainda mais levando em conta essa nova realidade da circulação pela rede. Como autor, sou francamente liberal em relação à troca de arquivos pela internet, e simpático à iniciativas como o Creative Commons, mas os aspectos todos de reprodução e comercialização na rede ainda são muito obscuros pra mim, e creio que para muita gente.

Boas novas?!

Vem muita coisa pela frente ainda esse ano, um novo show, uma turné pelo Brasil, novo site/redes sociais, músicas novas na internet e em CD. Estamos a todo vapor, e o trem já vai partir...


Por Flávia Bento.