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Mercado de Música Digital: gratuidades x direitos autorais
12/07/2011 / Bruna Cortez

 

Executivo brasileiro vê modelo com desconfiança

 

Combinar redes sociais e música na internet é algo que teria grandes chances de atrair um número expressivo de usuários brasileiros. Como ganhar dinheiro com um negócio nesse formato, porém, é uma questão que ainda faz com que iniciativas como o Turntable.fm sejam vistas com certa desconfiança do ponto de vista empresarial.

"Se você não tem um modelo que consegue definir de onde vêm as receitas, surge uma série de indefinições sobre quem participa da cadeia", diz Felippe Llerena, diretor de conteúdo da iMusica, empresa especializada em distribuição e gerenciamento de conteúdo digital.

O mercado brasileiro de música digital movimentou R$ 42,7 milhões em 2009, de acordo com os dados mais recentes divulgados pela Associação Brasileira dos Produtores de Discos (ABPD). As vendas pela internet somaram R$ 25,1 milhões e tiveram alta de 159,4% em comparação com o ano anterior. Esse foi o primeiro ano - desde o início da pesquisa, em 2006 - no qual as vendas de músicas pela internet superaram o comércio feito por meio de celulares, que somou R$ 17,6 milhões.

Segundo Llerena, o mercado de música digital do país tem espaço para negócios com maior interatividade, sobretudo, pelo grande interesse do brasileiro por redes sociais. "Existe uma janela de oportunidade para negócios que promovam interação entre os usuários", diz.

Apesar de acreditar nas possibilidades do formato no Brasil, a direção da iMusica ainda pretende fazer algumas avaliações antes de apostar na combinação entre redes sociais e música digital.

"Queremos fazer algo nesse sentido, desde que haja um modelo de negócios muito bem definido", diz Llerena. Para o executivo, uma das formas de tornar o negócio sustentável seria a cobrança de assinaturas.

Quanto à possibilidade de um site gratuito, o executivo é enfático: "Onde não há pagamento, não temos interesse em entrar".

A relação com as gravadoras é outra dúvida que permeia esse novo formato. Segundo Llerena, elas seriam uma das principais interessadas em saber como o modelo de negócios as incluirá nessa cadeia. A iMusica possui contratos de licenciamento de conteúdo musical com aproximadamente 20 mil gravadoras brasileiras e internacionais, além de acordos com organizações de direitos autorais.

 

Fonte: Valor Econômico