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Franquias: No Brasil, companhias estudam ser franqueadoras
12/07/2011 / Adriana Meyge

No Brasil, companhias estudam ser franqueadoras

 

Nem todo mundo se adapta à comodidade de trabalhar em casa. A solidão, os ruídos e as interrupções da família são problemas para muita gente, além da exigência de uma disciplina exemplar, para escapar dos cochilos ou das visitas à geladeira. No Brasil, onde o conceito de escritório compartilhado surgiu em 2008, jovens empreendedores e freelancers estão abrindo seus próprios negócios e alguns deles já estudam partir para o sistema de franquias.

A ideia dos escritórios compartilhados surgiu nos Estados Unidos em 2005, chegou ao Brasil há três anos e, neste ano, está crescendo em maior velocidade. Até o momento, há mais de 20 iniciativas em grandes cidades do país.

É o caso da Pto de Contato, com unidades nos Jardins e em Pinheiros, em São Paulo. Aberta em outubro de 2008, a empresa tem mais de 70 clientes, espera faturar R$ 600 mil neste ano e se tornar franqueadora. Uma hora de uso custa R$ 12, com direito a internet, telefone, serviços administrativos e café. Dez horas sai por R$ 100 e 500 horas por R$ 1.500.

O criador de sites Carlos Eduardo Alves, de 26 anos, dono do BeesOffice, que funciona há um ano no centro do Rio de Janeiro, também planeja adotar o modelo de franquias ainda este ano. Há um ano, Alves abriu o negócio com investimento de R$ 100 mil. Hoje tem 25 clientes ativos. Ele fatura R$ 18 mil mensais e espera ter retorno sobre o investimento em um ano.

Os clientes são geralmente pessoas com idade entre 25 e 40 anos. São empreendedores que ainda não têm capital para manter um escritório ou freelancers, a maioria das áreas de tecnologia e comunicação. Mas a clientela é variada e vai de advogados a "personal stylists". A taxa de utilização do espaço, em geral, é cobrada por hora, havendo também planos mensais, sem limite de tempo.

Mas o que leva as pessoas a trabalharem em espaços como esses? O custo baixo em relação ao aluguel de um escritório é um fator importante. Há possibilidade de receber clientes e correspondências fora do ambiente do lar. Também são considerados bons ambientes para construir relações de negócios, ou o "networking".

Segundo a publicitária Fernanda Nudelman, sócia-fundadora do Pto de Contato, a maior parte do seu público é da geração Y, "que está mais habituada a compartilhar informações nas redes sociais e não se preocupa com a confidencialidade". Para eles, não há problema trabalhar num espaço aberto com outras pessoas, sem divisórias.

"Por ser um negócio novo, o desafio é as pessoas entenderem e aderirem", afirma a publicitária Ana Fontes, criadora do My Job Space, no bairro Jabaquara, zona sul de São Paulo. A diária no escritório custa R$ 45; e a mensalidade, R$ 790. Com investimento inicial de R$ 200 mil, o espaço espera faturar R$ 250 mil este ano.

 

Fonte: Valor Econômico