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ANPEI: proposta nos moldes da Lei Rouanet
24/09/2010

Incentivos para estimular produtos corretos

Criar uma legislação e conceder incentivos fiscais, nos moldes da Lei Rouanet de incentivo à cultura, para investimento em inovação com vistas à sustentabilidade social e ambiental. Esse é um dos pontos basilares de proposta entregue pela Associação Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia das Empresas Inovadoras (Anpei) ao ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende. O objetivo é fomentar a pesquisa em tecnologias verdes não só nas grandes empresas, mas em toda a cadeia produtiva. A proposta foi bem recebida e está em estudo, afirma o secretário de desenvolvimento tecnológico e inovação MCT, Ronaldo Mota.

A ideia é parte de um conjunto de sugestões do setor para o desenvolvimento da pesquisa e inovação tecnológica no país debatidas durante a 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação. O projeto chama a atenção por dar à sustentabilidade um tratamento especial. A Anpei reúne 150 empresas, cujo faturamento conjunto ultrapassa R$ 600 bilhões por ano.
 

O governo tem interesse especial na área de química verde, setor em que o país desponta como o de maior potencial do planeta. Trata-se de iniciativas capazes de substituir matérias-primas de origem petroquímica em produtos finais, insumos e peças - como os plásticos verdes.

O grande potencial e os custos competitivos da cana-de-açúcar em relação a outras fontes de açúcar trouxeram ao Brasil a americana Amyris Biotechnologies. A empresa começou nos Estados Unidos e logo transferiu para cá a pesquisa para transformar açúcares fermentáveis não em etanol ou açúcar, mas em farneseno, molécula que promete revolucionar o uso industrial da cana.
 

O versátil farneseno pode ser empregado na produção de combustíveis (diesel), sabão, aditivos para lubrificantes, na indústria de cosméticos, entre outras aplicações. "A ideia é agregar valor à cana", afirma o diretor-geral da Amyris Brasil, Roel Collier. A produção em escala comercial do farneseno vai permitir a usinas que fazem apenas açúcar e álcool oferecer uma gama maior de produtos e aumentar a receita.

Para produzir a molécula, a Amyris Brasil associou-se à Usina São Martinho, maior processadora de cana do mundo. A SMA, joint-venture com 50% de participação de cada empresa, deve colocar o produto no mercado entre o final de 2011 e o início de 2012. A SMA planeja transformar 2 milhões de toneladas de cana em farneseno a partir de 2012. De acordo com Collier, a empresa fechou contratos de fornecimento com grandes companhias, como a Shell e a Cosan. Além disso, várias outras grandes empresas demonstraram interesse pelo produto.

 

Fonte: Valor Econômico