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Economia: Sem marolas
06/09/2010 / George Vidor

O Banco Central não espera que a economia brasileira acelere seu ritmo de crescimento neste segundo semestre. O mais provável é que a economia mantenha uma certa velocidade de cruzeiro, crescendo 1% de um trimestre para outro. Então haveria espaço para o Comitê de Política Monetária (Copom) baixar as taxas básicas de juros, em vez de mantê-las nos 10,75% ao ano?

Claro que o Banco Central não chegaria a esse ponto, pois ainda não houve tempo suficiente para se aferir o impacto da alta de 0,5 ponto percentual estabelecida na reunião de julho. Embora as autoridades considerem diminuto o risco de a inflação se afastar do centro das metas de 2010 e 2011 (que é de 4,5%), a área técnica do BC não descarta alguma surpresa no comportamento dos preços dos alimentos, que, por terem caído muito de maio a julho, talvez subam nos próximos meses, em intensidade que ninguém é capaz de prever. No entanto, o mais provável é que a inflação, na média, oscile na faixa de 0,25% ao mês.

Os empregos formais, com carteira assinada, já representam 60% da ocupação no município do Rio. A formalização dos empregos vinha aumentando à base de um ponto percentual ao ano desde 2008, mas no primeiro semestre de 2010 deu um salto, expandindo-se em quase três pontos. Isso explica, segundo o secretário municipal de Desenvolvimento e presidente do Instituto Pereira Passos, Felipe Góes, o fato de o rendimento médio dos trabalhadores ter evoluído mais que a média das regiões metropolitanas, apesar de o conjunto da ocupação (empregos formais, sem carteira e por conta própria) ter ficado abaixo. "Os empregos sem carteira caíram 3% no semestre e os com carteira cresceram 6,5%, puxados pelos setores de construção civil, energia e entretenimento", observa.

O desemprego no município do Rio, medido pelo IBGE está na faixa de 5% da população economicamente ativa. E as perspectivas para o resto do ano continuam boas, por causa dessa evolução do rendimento real do trabalho, que deve impulsionar as vendas no comércio e a produção dos bens de consumo não duráveis, característicos da indústria de transformação no Rio.

O Instituto Pereira Passos faz uma avaliação trimestral da economia do Rio, a partir de indicadores do IBGE, principalmente.

Por esses números, o Rio não pode ser chamado mais da capital da informalidade. Nada mais justifica a complacência com a resistência à formalização.

O debate sobre o médio prazo começa, pouco a pouco, a ganhar mais espaço na agenda econômica do país, o que é muito bom. O risco de desindustrialização, por exemplo, passou a merecer atenção de estudiosos, a exemplo de Luiz Guilherme Schymura, diretor do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas. Schymura acha que somente depois da crise financeira de 2008 surgiram sinais dessa desindustrialização que merecem um acompanhamento mais de perto.

É bem possível que a indústria brasileira tenha de buscar novos caminhos nos próximos anos. Será difícil competir com a Ásia nos produtos bem baratos, pois o Brasil está deixando de ser uma economia que pode contar com mão de obra abundante e mal remunerada. Na alta tecnologia, o Brasil possivelmente terá de se concentrar em alguns segmentos nos quais já vem se destacando (agronegócio, petróleo e energia em geral, fabricação de aviões, etc). As maiores oportunidades estão na média tecnologia e o segredo do sucesso nessa área é uma política que incentive a inovação, diz o presidente da Associação Brasileira da Propriedade Intelectual, Luiz Henrique Amaral. Na opinião de Amaral, a política industrial para os próximos anos deveria ter como eixo central a inovação, o que envolveria mais proteção à propriedade intelectual brasileira. Os trâmites relacionados a esse tipo de proteção sempre estiveram voltados à importação de tecnologia, que no passado era mais marcante.

A criação de peixes cresceu 60,2% nos anos de 2008 e 2009, enquanto a atividade pesqueira como um do todo evoluiu 15,7%. A maior parte do pescado consumido no Brasil ainda é capturada, mas de uma produção total de 1,43 milhão de toneladas prevista para o ano que vem a aquicultura (criação) deve contribuir com 570 mil toneladas. Em meados da próxima década - ou seja, lá por 2015 - a criação de peixes e frutos do mar deverá ultrapassar a captura extrativa.

Não que a pesca tradicional esteja recuando. A captura de sardinhas, que tinha encolhido para 17 mil toneladas no início da década e atingiu 83 mil toneladas no ano passado. Isso só foi possível depois que a pesca ficou proibida durante dois períodos (defeso) ao longo do ano, para permitir que os cardumes se reproduzam e cresçam.

A produção de tilápias (conhecida no exterior como St.Peter, Saint Pierre, San Pietro) chegou a 132 mil toneladas e responde por 39% da aquicultura brasileira.

O Nordeste é região que mais produz pescado, porém o maior produtor nacional é o estado de Santa Catarina, seguido por Pará, Bahia e Ceará.

Para se ter idéia o quanto ainda é preciso fazer para melhorar a infraestrutura do país, no Sudeste, região que concentra a maior fator do Produto Interno Bruto (PIB), a proporção de rodovias estaduais pavimentadas é a seguinte: Rio de Janeiro, 59%; Minas Gerais, 61%; Espírito Santo, 44%; São Paulo, 91%. Até mesmo São Paulo, cujas estradas são classificadas como boas ou ótimas pela Confederação Nacional dos Transportes, tem rodovias estaduais por pavimentar (isso sem falar das estradas vicinais, de responsabilidade municipal). Mas surpreende que Rio de Janeiro e Minas tenham cerca de 40% das rodovias estaduais não pavimentadas.

 

 

Fonte: O Globo