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Cônsul da França promove Festa da Música no Brasil
21/06/2010 / Ana Paula Souza

Em mais de 70 países ao redor do mundo, celebra-se, hoje, a Festa da Música. 

Criada na França, em 1981, pelo ministro Jacques Lang, a festa acontece, sempre, no primeiro dia do verão no hemisfério norte.

Com o passar dos anos, praticamente todos os países europeus aderiram ao evento. Até mesmo Xangai tem sua festa.

"Hoje, em Paris, você tem grupos de música na rua o dia inteiro", diz o Sylvian Itté, cônsul-geral da França em São Paulo. "Há desde grupos de fundo de garagem até a filarmônica fazendo espetáculos. A festa vai do rock'n'roll à música barroca."

Habituado à festa da terra natal, Itté achou estranho que, aqui no Brasil, o dia da música fosse silencioso.

"É engraçado que o Brasil, uma das pátrias da música, não tenha o seu dia da música", diz.

O cônsul decidiu então, ele próprio, organizar a "fête de la musique" na residência oficial, em São Paulo, para pouco mais de cem convidados.

O grupo Les Serges, formado por franceses e brasileiros, tocará canções de Serge Gainsbourg.

A festa, aqui, é para quase ninguém.

Mas a entrevista com Itté nos ajuda a entender como a música francesa --que hoje é conhecida, basicamente, pela primeira-dama Carla Bruni-- segue resistindo.

Bandas de garagem se apresentam nas esquinas de Paris



Bandas de garagem se apresentam nas esquinas de Paris

Folha - Hoje, no Brasil, a gente só conhece, além da Carla Bruni, os clássicos franceses, como o próprio Gainsbourg. Ao contrário do cinema, a música francesa tem dificuldade para viajar, não tem?
Sylvian Itté - A exportação é mínima em comparação com a diversidade da música francesa. A exportação de músicas é muito difícil por causa das leis de direito autoral e por causa do domínio da música norte-americana.

Mas os franceses ouvem música nacional ou o mercado é dominado pela música norte-americana e inglesa?
A música francesa resiste bem porque, como o [Ronald] Reagan dizia, a França é, de alguma maneira, o último país comunista do mundo.

Faz 20 anos que os governos, tanto de direita quanto de esquerda, têm uma política de defesa da diversidade cultural.

Os franceses voltaram a ouvir música nacional porque, em 1993, foi aprovada uma lei que obriga rádios e meios de comunicação a tocar música francesa.

Muita gente se colocou contra essa lei, disse que não teria efeitos. Mas, na realidade, ajudou muito.

Não fosse isso, as rádios estariam tomadas pela música americana e anglo-saxônica

*Qual seria a principal característica dessa música francesa hoje?
A diversidade. A França é o principal produtor, por exemplo, de artistas de Cabo Verde, como a Cesária Évora, do Irã e de vários outros países.

Fala-se muito que a França é um país fechado para os imigrantes, mas a diversidade se encontra em todas as esquinas e a música acaba refletindo isso.

O próprio rap é fortíssimo nas periferias francesas.
 

 

Fonte: Folha on line