Criada na semana passada por grandes editoras brasileiras para distribuir livros digitais na internet, a DLD (Distribuidora de Livros Digitais) só deverá entrar em operação efetivamente em dezembro.

Segundo o diretor-presidente da Objetiva, Roberto Feith, a DLD já iniciou suas atividades --foi escolhido inclusive o executivo que vai geri-la--, mas a plataforma de distribuição, serviço primordial da empresa, vai funcionar apenas no fim do ano.

Em entrevista por e-mail, Feith informou que os parceiros projetam investimentos de R$ 2 milhões até dezembro de 2011.

O representante da Objetiva dividiu as respostas às perguntas enviadas pela Folha com o presidente do Grupo Record, Sérgio Machado, que também respondeu por escrito.

Além de Objetiva e Record, integram a DLD as editoras Sextante, Intrínseca, Rocco e Planeta do Brasil. Conforme o comunicado distribuído à imprensa, a empresa "não atuará junto ao consumidor final, mas como distribuidora para livrarias online e empresas que oferecem conteúdo digital ao consumidor via web".

Leia abaixo a entrevista com Feith e Machado.

Folha - Qual a participação de cada editora na composição da nova empresa? O comunicado [divulgado semana passada] informa que Objetiva, Record e Sextante se associaram, mas em seguida diz que "este projeto já conta com a participação da Editora Intrínseca e da Editora Rocco". Como assim?

Roberto Feith - Objetiva, Record e Sextante, que é sócia da Intrínseca, são os sócios fundadores. Vimos trabalhando no desenvolvimento do projeto desde o final do ano passado. Uma vez definido o conceito e o modelo de negócio, apresentamos a iniciativa a outras editoras. A Rocco entrou na sociedade neste segundo momento. Estamos conversando com mais duas editoras interessadas em participar como sócias; no caso de uma delas, as conversações estão muito adiantadas, só faltando acertar pequenos detalhes. [após o envio da resposta, foi comunicado que a Planeta aderiu ao grupo].

Quanto foi/será investido na nova empresa?

O Plano de Negócios ainda está sendo afinado, mas trabalhamos com uma projeção de investirmos R$ 2 milhões até dezembro de 2011.

Quando a DLD começa a operar? Quem vai dirigir a nova empresa?

A empresa já está funcionando, mas a plataforma de distribuição deve entrar em operação em dezembro. Contratamos a Hay, para nos assessorar no processo de busca do executivo que vai tocar a empresa. Entrevistamos diversos candidatos e terminamos por contratar Roberto Vaz Moreira, um jovem profissional com experiência tanto na indústria cultural como no segmento de distribuição via web. O Roberto vai trabalhar orientado por um Conselho formado pelos sócios da DLD.

Folha - A DLD então não vai vender diretamente livros digitais, certo? Haverá uma página na internet [a partir de quando]?

Sérgio Machado: Não. A DLD será uma empresa B2B, ou seja, só comercializa seus produtos através de varejistas.

Quais as vantagens que outras editoras terão ao contratar os serviços da DLD? Neste caso, quem negociaria os direitos autorais digitais com os autores --a DLD ou a editora que a contratou?

São várias as vantagens: 1) A DLD estará investindo em tecnologia que não precisará ser duplicada pelas editoras que a contratarem; 2) a proteção do conteúdo, contra pirataria; 3) a armazenagem centralizada do conteúdo, com ferramentas para manutenção ( correções e atualizações) em um só local; 4) além disso, a transparência nas transações. Segurança de que todas as vendas serão contabilizadas.
A responsabilidade pela contratação dos direitos autorais em meio digital é de cada editora, sócia ou cliente da DLD.

As editoras que integram a DLD já renegociaram com seus autores todos os contratos, incluindo cláusulas para direitos digitais? Caso contrário, qual a porcentagem de contratos que já foram renegociados?

Esse processo está em andamento. Além da negociação dos direitos, há ainda a questão da conversão para [o formato] ePUB, que tem que ser progressivamente realizada.

As editoras da DLD (ou pelo menos as do grupo Record) estão conseguindo fazer a conversão para o ePUB aqui no Brasil (quem faz?), ou também estão recorrendo a subcontratadas na Índia e nas Filipinas?

Realmente, a conversão para ePUB é um gargalo no momento, para o qual a DLD pretende encontrar uma solução que atenda a todos os seus editores-clientes. Nesse início estamos dividindo os primeiros livros entre diversos fornecedores a serem convertidos. Futuramente, pretendemos incluir o ePUB no processo normal de produção editorial dos livros a serem publicados, de forma a evitar a conversão dos novos títulos. Realmente, não sei qual são os fornecedores que estamos usando agora.

O que distingue a DLD da Loja Singular [do Grupo Ediouro] e da Gato Sabido, por exemplo?

A DLD é exclusivamente B2B, não vende ao público em geral. A Gato Sabido é uma livraria digital que poderá ser cliente da DLD para vender o conteúdo desta.